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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

GOSTO QUE ME DIGAM A VERDADE; EU DECIDO SE ELA DÓI OU NÃO.

Ninguém gosta de ouvir mentiras. Não gostamos das mentiras piedosas, nem de que decidam por nós o que devemos saber ou não. Se a verdade vai nos machucar, somos nós quem temos que decidir isso.
As pessoas têm a mania de ocultar coisas que fazem, dizem ou pensam porque acreditam que assim evitam fazer mal aos outros. Mas não, na verdade não há nada tão dilacerante quanto a mentira, a omissão e a hipocrisia. Com eles, nos sentimos pequenos e vulneráveis, e ao mesmo tempo, gera-se desconfiança e insegurança frente ao mundo.
Não há nada que nos rompa mais por dentro e que nos revolva as vísceras tanto quanto que decidam por nós, que traiam nossa confiança ou que nos assumam incapazes de tolerar e vivenciar certas experiências.

Nenhum sentimento é inválido
Ao longo de nossa vida, sofremos e choramos por centenas de situações causadas pelos outros. Entretanto, todos esses sentimentos e emoções nunca são inúteis; pelo contrário, grande parte do nosso aprendizado é mediado pela dor.
Do mesmo modo, sofrer nos faz compreender e conhecer a nós mesmos, entender que somos fortes e que nada dura para sempre. Dessa forma, conseguimos administrar nossas emoções.
Nossa vida é nossa. Devemos vivê-la como quisermos e não como julgam os outros. Decidiríamos por alguém a quem ele ou dela deve amar e de que maneira? Não, isso é uma loucura. É injusto tentar decidir pelos outros.

O poder de dizer as coisas de frente
Dizer as coisas cara a cara é ser sincero, nada mais e nada menos. As pessoas confundem isso com a falta de educação, de tato ou de prudência.
Como a sinceridade é um termo que leva a confusões e cada um tem sua própria versão do conto, vejamos algo mais sobre ela.
Ser sincero não quer dizer que devemos falar tudo o que nos vem à cabeça, de forma brusca ou a qualquer momento. Ser sincero com critério, empatia e ética não significa maquiar a realidade, mas adequar sua comunicação ao momento e à pessoa.
A sinceridade faz com que encontremos companheiros, gente leal, íntegra. Ou seja, boa gente. Como é óbvio, muitas vezes a intenção não é ruim, mas devemos saber que ao não dizer a verdade, estamos faltando ao respeito com a pessoa “afetada”.
Não podemos tomar decisões pelos outros porque é assim que causaremos um verdadeiro dano. Um dano que é irreversível e que quebra as leis de toda relação sólida e equilibrada.
De fato, mentindo para alguém privamos tal pessoa da oportunidade de dirigir sua dor e aprender a lição que ela tem que aprender. Por isso, é  algo tremendamente injusto e abusivo.

A sinceridade dói naquelas pessoas que vivem em um mundo de mentira
A sinceridade nunca dói, o que dói são as realidades. Ser sincero sempre é um grande gesto, apesar de tudo e de quem for. Entretanto, pode acontecer de alguém preferir viver em um mundo de fantasia, sem querer enxergar a realidade. Nesse caso, tudo é respeitável.
Entretanto, o mal de mentir ou de ocultar a verdade é que a partir daí ficam em dúvida mil verdades que quebram a confiança, a segurança e os sentimentos de amor mais potentes.

Em resumo, a verdade constrói e a mentira destrói. Cada um de nós está capacitado para assumir a realidade do que nos corresponde e, portanto, de resolver os possíveis danos que possamos sofrer.
Não podemos viver esperando que a vida seja um caminho de rosas nem para nós, nem para os outros. Assim, sempre que nos corresponda, deveríamos optar por sermos sinceros e não privar as pessoas da oportunidade de crescer superando as adversidades ou desconfortos de sua própria existência.
Lembremos que proteger alguém de um dano com a possibilidade de causar outro ainda pior não faz sentido.


https://amenteemaravilhosa.com.br/gosto-que-me-digam-a-verdade

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A VIDA É UMA DANÇA...

Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa… nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor.
Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida… dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.
Não se apavore com as doenças… elas são despertadores, têm a missão de nos acordar. De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos fazer neste planeta. O universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas…
Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra divina. Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixá-lo melhor do que você o encontrou. Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens.
Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada. Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.
E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você.
Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do AMOR. Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas.
Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz… Não existem as distâncias físicas. A Física Quântica já provou que é tudo uma ilusão. Estamos interligados por fios invisíveis que nos conectam ao Criador da vida. A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo. É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso.
O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira classe. 
André Luiz

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

HÁ OS QUE QUEREM, E OS QUE QUEREM MESMO

Muito tempo atrás, escrevi um texto em que eu diferenciava o querer do querer mesmo – o verbo acompanhado do advérbio de afirmação. Ou seria advérbio de intensidade? Acho que de intensidade.
Querer, a gente quer muita coisa, mas quase sempre é um querer preguiçoso, que não nos impulsiona a agir. Querer mesmo significa abrir mão de uma série de confortos, tomar muito chá de banco e ver inúmeras ideias darem errado antes de darem certo – se é que darão certo. Querer mesmo escalar uma montanha, surfar uma onda gigante, filmar um documentário, trabalhar no Exterior e outras aventuras supostamente inatingíveis.
Anos depois, escrevi uma crônica chamada Escritor Mesmo, reconhecendo a distância que havia entre mim e aqueles que colecionam prêmios, têm alto padrão intelectual, são catedráticos, virtuoses da língua e candidatos fortíssimos à Academia Brasileira de Letras. Eu? Sou nada disso.
Agora faço uso novamente do advérbio para diferenciar não os escritores, mas os leitores. Há aqueles que leem, e aqueles que leem mesmo – e a crônica de jornal é um bom balizador desta diferença. Na correria cotidiana, muitas vezes o leitor apenas passa os olhos pelo o que está escrito. Tudo bem. Passar os olhos, hoje em dia, já é digno de nota, mas o apressado corre o risco de se confundir. Por exemplo, domingo passado recebi uma dezena de cumprimentos pela passagem do meu aniversário, o que foi uma delicadeza, só que nasci em agosto. O que aconteceu? Aconteceu que publiquei aqui neste espaço uma crônica fictícia – um pequeno conto – com o título Algum dia, em que o personagem (masculino) sonhava em realizar vários projetos mirabolantes, porém sem jamais levantar da cama e sem perceber a passagem do tempo. A leitura do texto induzia a pensar que eram planos de um adolescente, até que, ao final, o personagem comentava que no dia seguinte completaria 58 anos.
Talvez por eu não ser uma escritora mesmo, muitos não perceberam que era um homem falando. Acharam que eu falava de mim. Que eu havia trocado de sexo, que eu tinha a intenção de morar numa praia com uma gata, que eu desejava fotografar as aves do Mato Grosso, que eu sonhava em ser guitarrista de uma banda em Berlim e que faria 58 anos no dia seguinte (a propósito, tenho 56 – não minto a idade, mas aumentá-la, isso não).
Há os que querem, e os que querem mesmo. Há os escritores, e os escritores mesmo. Há os que leem, e os que leem mesmo (pode incrementar a lista: há os que amam, e os que amam mesmo; os amigos do Face, e os amigos mesmo…). Tudo anda tão da boca pra fora, tão volátil, descartável, escorregadio, que a intensidade tornou-se um diferencial a ser comemorado.


Martha Medeiros
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